Eu acho que algumas pessoas têm sorte de simplesmente nascer com uma predileção natural de gostar do que outras bem mais inteligentes que estas dirão ser bom gosto. Eu tive esta sorte desde que me entendo por gente, quando ouço uma música que me faz encher os olhos de lágrimas, algum tempo depois descubro que ela se trata de uma música de "bom gosto". Foi assim que eu fui descobrindo que - perdoem-me se pareço prepotente ou arrogante, acho que não sou - tenho bom gosto para música. Minha amiga Raquel, um referência para mim dos que vivem ao meu redor sobre o que é bom gosto, concorda que eu gosto de coisas boas, espero que vocês - esse blog é tão pouco lido que usar "vocês", me faz parecer cada vez mais besta - gostem.

Meu Cariri
(Rosil Cavalcanti e Dilú Melo)
No meu Cariri
quando a chuva não vem
não fica lá ninguém
somente Deus ajuda
se não vier do céu
chuva que nos acuda
macambira morre
chique-chique seca
juriti se muda
Se meu Deus der um jeito
de chover todo ano
se acaba o desengano
o meu viver lá é certo
no meu Cariri
pode se ver de perto
quanta boniteza
pois a natureza
é um paraíso aberto

O eterno Rosil Cavalcanti mais uma vez acerta! Não sei se vocês sabem mas Marinês pediu para ser lembrada por sua bela interpretação desta música, Xangai e Clara Nunes também demosnstraram a beleza dela.
Assim como outras músicas que falam sobre a terra de meus antepassados, esta não foge a regra de retratá-la como um paraíso quando chove e um inferno quando seca. Apenas isto demonstra a simplicidade, de um modo geral, dos anseios de quem ali vive. Luiz Gonzaga cantava: "um pedaço de terra, uma casinha de taipa é o bastante, com uma enxada na mão a gente ganha o pão e segue avante". É um tipo diferente de capitalismo, arrisco dizer. Não é apenas uma falta de perspectiva, mas de se viver com uma humildade tão grande que os enaltece a uma condição superior, eles sabem que a diferença entre eles e os doutores é que o caixão deles é mais barato, mas a terra que os engolirá é a mesma, então se eu posso apenas ter o que comer, o que vestir, uma morena chamda Rosa e um pedaço de uma manga (espécie de serrote onde os bodes pastam), tomar umas de vez em quando no forró da casa de Gabriela e vou levando a vida de modo feliz.
Depois lembrem-me de mostrar a vocês uns dados sobre o que é considerado necessário para a vida moderna hoje e há alguns séculos atrás! Não sei se são confiáveis mas são interessantes.
Desculpem se fui meio piegas, mas só deixo (no meu coração) o meu cariri no derradeiro pau de arara! Até a próxima!
Um comentário:
Lindo!
Concordo com essa questão da predileção por músicas boas, ninguém pede pra nascer com sensibilidade ou pra ser capaz de derramar uma lágrima quano escuta uma melodia bonita ou uma letra que nos toca, quano pra maioria das pessoas não passaria de uma música ambiente.
Fofinho, diga-me, o que seria a vida sem uma boa trilha sonora?! No mínimo ficaria em prto e branco....
Poste com mais frequência, é muito bonito o que vc escreve, apesar da minha temporária incapacidade de escrever com as duas mãos, não deixarei de comentar rsrsrsr
bjo
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