quinta-feira, 22 de novembro de 2007

E agora tá falando carioca!

Por favor, leiam esta letra de música: Eu pensei em postá-la quando vovó me contou a seguinte piada: Disse que um ônibus saiu aqui de São José da Lagoa de Roça pro Rio de Janeiro, quando chegou lá em Campina Grande quebrou, mas todos os passageiros saíram chiando e falando "carioca que a força e quer ser malandro". Meu Deus, todos conhecem pessoas que passam um mês no Rio e voltam chiando, eu conheço cariocas que estão aqui desde os 4 anos de idade e nunca pararam de chiar. Será uma questão cultural? O que vocês acham? Eu acho que sim, penso que a maioria respeita mais quem não fala oxente.
Bem, alguns podem estar pensando: que assunto idiota para se tratar em um blog. Eu respondo Jackson do Pandeiro não achava isso sem importância, então, não é sem importância, vejam que músiaca bem humorada sobre um cara ridículo que passou 4 meses no Rio e voltou falando "carioca".


Filomena e Fedegoso

Composição: Jackson do Pandeiro e Elias Soares

Eu bem que sabia
Que esse cabra era ruim
Filho de filomena não devia ser assim
Filomena dá um jeito em fedegoso
Tá fanhoso parecendo uma taboca
Passou quatro mês no rio e vei simbora
E agora tá falando carioca
Jerimum ele diz que é abrobra
Macaxeira ele diz que é aipim
Arranjou mais um tal de bambolê
Pra quê? pra fazer vergonha a mim
Na maleta ele butou um clichê
Pra dizer que veio de avião
Mais eu soube que ele veio no poconé
Pois é, lá embaixo no porão
Menino, uma roupa que ele diz que é gasimira
Tá pensando que aqui só tem maluco
Ele diz que comprou no magazin
Pois sim, como vai seu vuco-vuco?


Agora me lembrei de uma história, de minha amiga Severina Abdias, que diz ter acontecido com seu irmão: Disse que ele passou uns meses lá no Rio e quando voltou viu o pai limpando o roçado com uma enxada, aí ele perguntou, como é o nome disso mesmo painho? Aí Seu Abdias calado estava, calado ficou. Isso ao meio-dia! (lá no sertão, como me lembrou minha amiga Dandara tudo o que acontece ao meio-dia é levado bem mais a sério do que em outros horários). Um tempinho mais tarde, o véi largou a enxada e o filho pisou na lâmina fazendo com que o cabo batesse em sua testa, no mesmo instante geme: Aí, essa merda dessa enxada. Seu Abdias que não perde uma, retruca: Ah, já tá chamando pelo nome?
Então aqui em casa no que depende de mim: jerimum, derradeiro, devorteio, encarnado, pra frente (no sentido de moderno), e quem me conhece diz mais! Se sou bairrista? Talvez! Também são os americanos, os franceses, os cariocas que chegaram aqui com 4 anos e falam "malandro" pra paquerar as mocinhas idiotas (lá no ccaa tem um - só não sei se ela é idiota nem ele mora aqui há 10 anos, mas ô sotaquezinho porre), e etc. Lembrem-se: vamos dividir o Brasil pro Nordeste ficar independente!
Abração a todos!

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Voltei!

Eu acho que algumas pessoas têm sorte de simplesmente nascer com uma predileção natural de gostar do que outras bem mais inteligentes que estas dirão ser bom gosto. Eu tive esta sorte desde que me entendo por gente, quando ouço uma música que me faz encher os olhos de lágrimas, algum tempo depois descubro que ela se trata de uma música de "bom gosto". Foi assim que eu fui descobrindo que - perdoem-me se pareço prepotente ou arrogante, acho que não sou - tenho bom gosto para música. Minha amiga Raquel, um referência para mim dos que vivem ao meu redor sobre o que é bom gosto, concorda que eu gosto de coisas boas, espero que vocês - esse blog é tão pouco lido que usar "vocês", me faz parecer cada vez mais besta - gostem.


Meu Cariri
(Rosil Cavalcanti e Dilú Melo)
No meu Cariri
quando a chuva não vem
não fica lá ninguém
somente Deus ajuda
se não vier do céu
chuva que nos acuda
macambira morre
chique-chique seca
juriti se muda
Se meu Deus der um jeito
de chover todo ano
se acaba o desengano
o meu viver lá é certo
no meu Cariri
pode se ver de perto
quanta boniteza
pois a natureza
é um paraíso aberto

O eterno Rosil Cavalcanti mais uma vez acerta! Não sei se vocês sabem mas Marinês pediu para ser lembrada por sua bela interpretação desta música, Xangai e Clara Nunes também demosnstraram a beleza dela.
Assim como outras músicas que falam sobre a terra de meus antepassados, esta não foge a regra de retratá-la como um paraíso quando chove e um inferno quando seca. Apenas isto demonstra a simplicidade, de um modo geral, dos anseios de quem ali vive. Luiz Gonzaga cantava: "um pedaço de terra, uma casinha de taipa é o bastante, com uma enxada na mão a gente ganha o pão e segue avante". É um tipo diferente de capitalismo, arrisco dizer. Não é apenas uma falta de perspectiva, mas de se viver com uma humildade tão grande que os enaltece a uma condição superior, eles sabem que a diferença entre eles e os doutores é que o caixão deles é mais barato, mas a terra que os engolirá é a mesma, então se eu posso apenas ter o que comer, o que vestir, uma morena chamda Rosa e um pedaço de uma manga (espécie de serrote onde os bodes pastam), tomar umas de vez em quando no forró da casa de Gabriela e vou levando a vida de modo feliz.
Depois lembrem-me de mostrar a vocês uns dados sobre o que é considerado necessário para a vida moderna hoje e há alguns séculos atrás! Não sei se são confiáveis mas são interessantes.
Desculpem se fui meio piegas, mas só deixo (no meu coração) o meu cariri no derradeiro pau de arara! Até a próxima!